Devocional #05 - Bem-aventurados os humildes

“Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança” — Mateus 5:5

A humildade elogiada por Cristo não é fruto de qualquer mérito, capacidade ou empreendimento humano. Não se trata de uma disposição do coração motivada pelo próprio homem, mas é resultado direto de um coração pobre de espírito e de uma alma quebrantada.

O reconhecimento da miséria e incapacidade conduz o cristão não apenas ao choro destacado no verso anterior, mas também à compreensão de que não há nada para se orgulhar.

Em outras versões encontramos a expressão “mansos” e, neste contexto, a aplicação é a mesma. Não se trata de uma personalidade fraca ou apática, a mansidão ou a humildade elogiada por Jesus não é uma “fraqueza”, ou ainda uma presença débil, mas uma virtude desenvolvida pelo próprio Deus em nós.

“O homem manso é o homem que compareceu ao julgamento de Deus e abdicou de supostos ‘direitos’. Ele aprendeu, em gratidão à graça de Deus, a submeter-se ao Senhor e a ser gentil com os pecadores.” (FERGUSON, 2019).

Quão urgente e necessária em nossos dias é esta bem-aventurança. Vivemos em tempos de polarização política, de escalada na violência, de cancelamentos digitais, discursos de ódio e guerras de narrativas. Tudo isso é fruto de um espírito prepotente e um coração que se deixou guiar, não pelos valores do Reino, mas pelo orgulho e pecado.

Quando paramos para refletir sobre nossas iniquidades, quando contemplamos nossa própria miséria e a dependência que temos de Deus e quebramos nosso coração, não somos capazes de nos orgulhar de absolutamente nada, não exigimos, não impomos, não forçamos e não guerreamos pelo que é transitório, pois reconhecemos que tudo é pela graça e pelo Espírito de Deus.

A terra não é prometida por herança aos valentes, aos de natureza belicosa, aos que lutam a todo custo por seus direitos ou que militam ferozmente em prol de suas próprias ideologias, os valores do Reino são outros, a lógica do Rei é inversa, a terra é prometida por herança aos mansos, aos humildes de coração, aos que reconheceram que não têm direito algum e que, em si mesmos, não possuem nada que lhes tornem dignos de receber tal bênção.

Somos tentados, em todo o momento, a seguir o fluxo deste mundo, acreditar que somos merecedores de algo, a entrar em guerra por valores que não representam os princípios do Reino. Este é o caminho mais fácil, o caminho que acaricia o ego e o mantém assentado no trono.

Entretanto, como escreveu, certa vez, G. K. Chesterton: “Só uma coisa morta segue a correnteza. Tem que se estar vivo para contrariá-la”. Se estamos seguindo a correnteza do mundo e vivendo sob os valores deste reino terreno é sinal de que estamos alegres, abastados e ricos de espírito, somos bem-aventurados aos olhos humanos, mas desagradáveis aos olhos de Deus.

Deus lhe abençoe.

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