Devocional #03 - Bem-aventurados os pobres de espírito

“Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos céus” – Mateus 5:3

Ao contrário do que alguns imaginam a pobreza de espírito, aqui elogiada por Cristo, não diz respeito à falta de recursos financeiros, à pobreza material, nem ainda se relaciona a uma autoimagem negativa, baixa estima ou introversão.

O pobre de espírito não é aquele que se firma em si mesmo a fim de criar uma imagem exterior de humildade e insignificância. Quem assim age chegará diante de Deus no grande dia e será calado frente à sua própria incapacidade de seguir a Lei do Senhor (Romanos 3:19).

Em sua carta à Igreja em Roma o Apóstolo Paulo nos apresenta o terrível estado da humanidade:

“Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam. Veneno de serpentes está em seus lábios. Suas bocas estão cheias de maldição e amargura. Seus pés são ágeis para derramar sangue; ruína e desgraça marcam os seus caminhos, e não conhecem o caminho da paz”  — Romanos 3:10-17

Não importa a imagem que temos de nós mesmos, não somos justos diante de Deus, nossas capacidades, habilidades e nossa justiça é insignificante diante dAquele que é sobre todos.

Reconhecer a própria inabilidade e a própria incapacidade de alcançar a justiça é ser pobre de espírito. É olhar para si e ver o quão fraco, débil, incapaz e pecador que somos.

O homem e a mulher pobres de espírito reconhecem que todos os méritos e toda a justiça provém somente de Cristo, não levantam sua voz para exigir algo de Deus, pois nada merecem senão a condenação eterna.

Nada em minhas mãos trago,
Só à cruz me agarro;
Nu, me achego a Ti por vestimenta;
Desamparado, olho a Ti por graça;
Imundo, à fonte eu corro;
Lava-me, Salvador, ou morro

— A. M. Toplady

Estes são bem-aventurados, extremamente felizes, encontraram a alegria que excede todo o entendimento, pois removeram de si todo e qualquer vestígio de autossuficiência e se lançaram plenamente aos pés de Jesus reconhecendo a suficiência de Sua obra.

O caminho desta bem-aventurança segue na direção oposta do orgulho humano. É necessário perder tudo, destruir o ego, descer ao pó, para então alcançar de Cristo tal alegria.

Dos tais é o Reino dos céus, a herança eterna é dada não aos que acreditam ser merecedores da salvação, mas para aqueles que reconhecem a obra de Cristo e pela fé abraçam a graça de Deus e a justificação imputada não pelos méritos humanos, mas pelos méritos de Cristo.

“Se você deseja ser rico e gozar de um reino, primeiro perca tudo – incluindo a si mesmo e o seu egocentrismo – e torne-se pobre de espírito” (FERGUSON, 2019).

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019.


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