Devocional #04 - Bem-aventurados os que choram

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” — Mateus 5:4

Estaria Jesus se referindo ao choro provocado pela perda, por alguma traição ou ainda pelas adversidades da vida? Estaria Ele nos dando esperança de dias melhores? Embora não seja errado olhar para esta declaração de Cristo sob esta ótica, tal interpretação é extremamente superficial.

O choro não é motivado por questões de natureza terrena, a bem-aventurança contida nas lágrimas derramadas pelos discípulos de Jesus não está relacionada simplesmente ao chorar em si, mas diz respeito à motivação que conduziu o crente a sofrer profundamente.

Somente o homem e a mulher pobre de espírito podem encontrar a bem-aventurança declarada por Jesus, pois ao chorar reconhecem o terrível estado de sua própria alma, a pecaminosidade de seu coração e a dependência de Deus.

“Agora, atordoado ao descobrir a pobreza de espírito que nela há, esta pessoa aprende a lamentar a própria miséria” (FERGUSON, 2019).

Não é qualquer choro que será alvo do consolo de Deus, não é qualquer lágrima que será enxuta por Ele e nem todos os contritos de coração são bem-aventurados.

A bem-aventurança é prometida ao homem e mulher pobres de espírito, que se angustiam pelo mal que ainda há em seu coração. Ao nos aproximar da santidade de Deus e contemplar Sua face, não há outro caminho a não ser o lamento por nossas falhas.

Cristo promete que para tais pessoas há alegria e consolo, “O Deus contra quem ele pecou é o Deus que perdoa pecadores!” (FERGUSON, 2019).

Tristemente vivemos uma época em que os cristãos têm sido ensinados que a vida da fé é marcada somente por altos, por vitórias, por grandiosidades. Pouco se fala sobre o lamento, sobre o pranto pelos próprios pecados.

Por consequência, se não nos entristecemos pelas nossas iniquidades iremos, inevitavelmente, entristecer ao Espírito Santo. A promessa de consolo não é para aqueles que creem serem merecedores de algo, mas para os que reconhecem a pobreza de seu espírito e se derramam diante de Deus.

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” [...] Os que choram são os que estão dispostos a viver na renúncia daquilo que o mundo considera paz e felicidade; são os que não dançam segundo a música do mundo, que não conseguem se acomodar a ele. Choram pelo mundo, por sua culpa, seu destino e sua felicidade [... porém] o sofrimento não os enfraquece, não os consome, nem os torna amargurados ao ponto da exaustão. Pelo contrário, carregam o sofrimento que lhes é imposto na força daquele que os carrega, daquele que na cruz tudo suportou” (BONHOEFFER, 2016, p. 80, 81)

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. Discipulado. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/dietrich-bonhoeffer-discipulado

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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