Devocional #02 - Bem-aventurados

“Vendo as multidões, Jesus subiu ao monte e se assentou. Seus discípulos aproximaram-se dele, e ele começou a ensiná-los dizendo: Bem-aventurados” – Mateus 5:1-3

Um erro bastante comum entre os cristãos é olhar para o Sermão do Monte, em especial para as bem-aventuranças, desenvolver uma ideia de que a identidade e felicidade do crente estão condicionadas ao que ele faz em resposta aos ensinos de Cristo.

Embora isso esteja parcialmente correto, uma vez que necessitamos responder positivamente ao Evangelho, a alegria contida na vida oferecida pelo Reino de Deus não está vinculada aos esforços que eu e você somos capazes de realizar.

O conceito de bem-aventurado, ou de bênção, ou ainda de divinamente feliz não é uma ideia estranha apresentada nas Escrituras somente aqui, no Sermão do Monte. Em todo o Antigo Testamento encontramos o paralelo entre bênção e maldição, bem-aventurança e infelicidade.

O que então seria alguém bem-aventurado? Ferguson (2019) escreve dizendo que “as bem-aventuranças [...] não se concentram no que nós temos de fazer; ao invés disso, elas descrevem as bênçãos [...] que pertence a todos cuja vida manifesta as marcas do reino de Deus”.

A bênção, portanto, não está fundamentada no mérito humano, o estado de felicidade divina não se encontra no que eu ou você somos capazes de fazer. Mas sim na comunhão com Deus e na possibilidade de, por meio de Jesus Cristo, desfrutarmos do pacto e promessa feitos pelo Senhor: “Vós sereis o meu povo, Eu serei o vosso Deus”.

É importante observar que o Sermão do monte não é um conjunto de regras frias a serem seguidas. Você pode ser auxiliado por sermões e pregações, e até mesmo por este devocional, sem necessariamente conhecer aquele que lhe ensinou ou sem estabelecer um relacionamento pessoal com ele, entretanto, não é possível viver o Sermão do Monte sem estar em comunhão com Jesus. A obediência está firmada não na obediência em si, mas no amor que é fruto do relacionamento com Deus.

O homem e a mulher bem-aventurados não são os que se esforçam humanamente, mas os que reconhecem a dependência e a necessidade de Deus e que se entregam à bênção que é desfrutar da comunhão com Ele.

Sendo peregrinos em terra estrangeira precisamos manter viva em nossa mente a realidade de que vivemos no reino deste mundo, no entanto, seguimos os princípios de outro Reino, somos apenas residentes estrangeiros.

Entretanto, lamentavelmente, muitas vezes nos deixamos levar pelo modo de vida deste mundo de forma que, quando olhamos para os ensinos de Cristo e, em especial, para as bem-aventuranças, enxergamos uma realidade que o Senhor não tinha em mente.

Coloquemos à prova nosso coração: “Quais são as oito coisas que você mais deseja ver desenvolvidas e progredidas em sua vida?” (FERGUSON, 2019).

Nossa lista “inclui[u] pobreza de espírito, humildade, fome e sede de justiça, misericórdia, pureza de coração, um espírito pacificador e uma disposição para ser perseguido por causa de Jesus?” (FERGUSON, 2019), ou assim como os súditos do reino deste mundo, estamos colocando nossos corações num lugar onde ele jamais deveria estar?

Que o Senhor Deus nos ajude a alinhar novamente o foco de nossos olhos e a contemplar a bem-aventurança de uma vida aos seus pés.

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada

FERGUSON, Sinclair B. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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