Devocional #19 - Entre em acordo com seu adversário no caminho

"Entre em acordo depressa com seu adversário que pretende levá-lo ao tribunal. Faça isso enquanto ainda estiver com ele a caminho" — Mateus 5:25

Cristo continua tratando sobre a reconciliação com o próximo e nos apresenta um cenário de urgência. "Entre em acordo depressa com seu adversário", nos orienta o Mestre.

Jesus orienta seus discípulos para que busquem a reconciliação antes que o caso se agrave, é muito mais fácil e simples resolver as divergências quando estas ainda não chegaram ao tribunal, é menos doloroso dar o braço a torcer reconhecendo o próprio pecado contra o irmão do que aguardar até as últimas consequências.

Embora a ilustração apresentada nos leve a interpretar a situação no contexto meramente judicial e civil, podemos extrapolar o ensino de Cristo aplicando a mesma ideia à efemeridade da vida.

Quantos hoje não estão pagando até o último centavo por um desentendimento com seu irmão não resolvido enquanto este ainda estava vivo? Quanto remorso e arrependimento não seriam evitados se ouvíssemos a orientação do Mestre?

Dietrich Bonhoeffer (2016) nos escreve em seu livro “Discipulado”: “Ainda vivemos no tempo da graça, pois ainda há um irmão ao nosso lado, ainda estamos ‘com ele a caminho’. Diante de nós está o juízo. Ainda podemos buscar o acordo, ainda podemos pagar a dívida a quem somos devedores. Chegará a hora em que seremos julgados. Então será tarde, pois aí haverá justiça e punição até o último centavo”.

Não temos o dia de amanhã, sequer sabemos se chegaremos com vida ao final do dia de hoje ou ainda se teremos mais uma oportunidade para nos reconciliar com nosso irmão. Há urgência, há a necessidade imediata de fazermos o certo agora antes que seja tarde demais. Podemos pagar o preço da humilhação hoje, agora, ou podemos esperar o dia do juízo para fazê-lo.

Podemos sangrar o coração, mas alcançar a reconciliação, ou podemos mantê-lo intacto e perdê-lo ao fim de tudo.

Ferguson (2019), entretanto, nos relembra que “Jesus está dizendo que devemos, à medida do possível, remover toda a base para qualquer tipo de inimizade. Ele, porém, [...] não está dizendo para lavarmos roupa suja em público, mas para tratar urgente e completamente qualquer conflito que tenhamos, antes que a situação cause assassinato espiritual”.

A reconciliação proposta e exigida pelo Mestre não é uma apresentação dos erros provocados pelo outro, o discípulo não caminha na direção do seu irmão para apontar as falhas dele, mas para reconhecer suas próprias transgressões.

A cura para o desentendimento não passa na tentativa de tratar o coração do outro, mas o próprio coração, não é remover o cisco do olho alheio, mas retirar a trave que há no seu próprio olho.

Como nos escreve Bonhoeffer: “É um duro caminho [...] que Jesus exige de seus discípulos. É um caminho de humilhação e vergonha, mas é o caminho a ele, o Irmão Crucificado, e por isso é o caminho da graça”.

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. Discipulado. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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