Devocional #17 - Não matarás

"Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: ‘Não matarás’, e ‘quem matar estará sujeito a julgamento’" — Mateus 5:21

O primeiro ponto a ser tratado pelo Mestre em sua desconstrução do pensamento desalinhado acerca da Lei de Deus é o homicídio. Não muito diferente de nossa época muitos intérpretes da Lei diante da ordem de Deus “não matarás” colocava um ponto de interrogação questionando “O que isso significa exatamente?”.

Jesus então assevera a questão, vai ao cerne do problema, à raiz do pecado e revela que tanto o que mata fisicamente quanto o que ataca a honra do seu irmão compartilham da mesma transgressão.

Escrevendo sobre isto, Dietrich Bonhoeffer nos declara “O discípulo de Jesus é proibido de cometer assassinato, sob ameaça de julgamento divino. A vida do irmão é, para o discípulo de Jesus, limite que não se pode atravessar. Esse limite, porém, não se restringe ao assassinato; irar-se já é ultrapassá-lo. A palavra raivosa (Raca) e a ofensa deliberada (“tolo”) já são transgressões desse limite”.

Cristo nos revela que o homicídio é o último degrau da desconstrução da honra alheia, no entanto, não é o único. A ofensa deliberada, o ódio contra o próximo e, o que hoje chamamos de cancelamento, é tão deplorável e condenável por Cristo quando apertar o gatilho de uma arma.

A origem é a mesma: a desonra à dignidade da vida. Bonhoeffer ainda nos escreve “A palavra leviana à qual não damos grande importância revela que não honramos o outro, que não o respeitamos, que estimamos mais a nossa vida que a dele. Tais palavras são um golpe contra o irmão, uma punhalada em seu coração. Sua intenção é atingir, machucar, destruir”.

Da mesma maneira que o homicida ataca deliberadamente a vida do próximo removendo-lhe o direito dado por Deus de existir, aquele que ofende seu irmão dirigindo-lhe palavras odiosa também o faz, destrói a dignidade da vida humana, peca contra a sacralidade da imagem de Deus impressa no outro e, portanto, é digno de julgamento.

Cristo, no entanto, não está propondo uma espécie de “pesos” para o pecado, não está colocando na balança o assassinato e a ofensa estabelecendo um como mais grave que o outro. Seu objetivo é despertar o coração dormente dos discípulos e lhes apresentar a seriedade na qual devem tratar suas palavras.

O mundo não mede a força da agressão, sequer se preocupa com o que diz, na realidade, quanto mais ofensivo for melhor. Entretanto, conscientes de que “a vida do irmão é dada por Deus e está nas mãos dele” (Bonhoeffer) não cabe ao discípulo o direito de ferir sua reputação ou manchar sua honra.

Não devemos seguir o fluxo da correnteza, o Mestre nos chama para ativamente observar, pesar e repensar nossas palavras. Lembremos o que o Apóstolo Paulo nos escreve: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Colossenses 4:6).

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. Discipulado. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/dietrich-bonhoeffer-discipulado


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