Devocional #23 - Seja o seu sim, sim e seu não, não

"Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do Maligno" — Mateus 5:37

Cristo prossegue seu ensino acerca dos princípios que deveriam nortear a vida de seus discípulos e os proíbe de validar suas palavras mediante juramento.

Entretanto, o juramento aqui apresentado não diz respeito, necessariamente, ao juramento exigido diante das autoridades. Em Seu julgamento diante do Sumo Sacerdote, Cristo rompe o silêncio ao ser exigido, sob juramento, a confirmação se era ou não o Filho de Deus (Mateus 26.63,64).

O que Cristo nos indica neste texto é outra coisa. Na realidade, o Mestre combate o costume dos judeus de sua época de jurarem sem a intenção genuína de sustentar o juramento. Ferguson (2019) em seu livro “O Sermão do Monte” nos escreve: “As pessoas seguiam jurando por tudo isso sem usar o nome de Deus; e, com base nisso, livrando-se de cumprir a promessa que haviam feito. ‘Com certeza’, eles argumentariam, ‘se eu tivesse jurado pelo nome de Deus a fim de manter minha promessa, eu a teria cumprido. Mas o fato de eu ter prometido pela terra indica que meu compromisso não era absoluto’”.

Jesus então declara que tal procedimento provém do maligno, pois revela a indisposição do coração humano em agir de forma honesta para com seu próximo.

O juramento invalida as palavras do discípulo, como nos escreve Dietrich Bonhoeffer (2016): “Não há necessidade de o discípulo jurar, pois não existe palavra que não seja dita diante de Deus. Cada palavra sua deve expressar nada mais que a verdade, não necessitando, assim, de confirmação mediante juramento”.

Espera-se do discípulo que de sua boca saia somente o que seja verdadeiro, que seu sim seja, de fato, sim e o seu não, não. Bonhoeffer (2016) ainda declara que “O juramento como meio de confirmação da verdade não se faz mais necessário, pois quem vive sob a cruz está na verdade completa de Deus”.

Para o discípulo não há a necessidade de dar mais peso às suas palavras, ele não precisa validar suas declarações com juramento, pois tudo o que diz está sendo dito diante do próprio Mestre. Ele caminha e serve à verdade, vive por ela e, na mesma medida, fala por ela.

Agir de forma diferente revela que, ao contrário do que se espera, o discípulo deixou-se influenciar pelo maligno, permitiu que sua boca se tornasse instrumento nas mãos do diabo e já não caminha mais na verdade.

Cristo exige de seus discípulos o comprometimento sincero com a verdade, sem rodeios, sem ambiguidade, somente o sim e o não.

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

BONHOEFFER, D. Discipulado. Tradução de Murilo Jardelino e Clélia Barqueta. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/dietrich-bonhoeffer-discipulado

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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