Devocional #20 - Vocês ouviram, não adulterarás

“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Não adulterarás’. Mas eu lhes digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” – Mateus 5:27,28

Logo após tratar do homicídio Cristo avança para outro pecado grave e, na mesma proporção, totalmente incompreendido pelo povo, o adultério. Ao invés de aliviar a Lei, Cristo se aprofunda no obscuro do coração humano e revela que o pecado é consumado não em seu ato externo, mas na disposição do coração em aceitá-lo.

Perceba, no entanto, que a questão apresentada por Jesus não se trata de olhar com admiração para uma mulher, não é contemplar e estimar suas qualidades, talentos e dons, o olhar aqui apresentado não é puro, mas está permeado com o desejo pecaminoso da cobiça. É desejar a mulher com quem não assumiu os votos diante dos homens, potestades e do próprio Deus.

Cristo quebra o pensamento distorcido dos mestres da Lei que pregavam uma suavização do mandamento de Deus ao declararem que a Lei dizia que “você não pode ser surpreendido no ato de cometer adultério”, numa espécie de pensamento que beirava a ideia de que “se não for visto, não está errado”.

A consumação do adultério não se dá na esfera física, mas no coração. Tudo começa com o olhar malicioso, seguido pela quebra da aliança assumida no altar, pela permissão do desejo no coração e disposição, por parte da consciência, em conduzir a concupiscência até às últimas consequências. É ceder ao segundo olhar e permitir que o coração se incline à infidelidade abrindo as portas para consumar o pecado na esfera física se houver a possibilidade.

Não é raro encontramos piadas, brincadeiras e até mesmo elogios à infidelidade. Basta alguns minutos em alguma rede social, ou em alguma roda de ímpios, e veremos o quão normalizado se tornou a ideia da traição. Lamentavelmente o diabo imprimiu na mentalidade moderna a ideia de que o casamento é uma instituição autoritária, antiquada e falida, e que toda fuga e quebra de aliança é um grito de liberdade e felicidade.

Ferguson (2019), no entanto, nos escreve em seu livro “O Sermão do Monte”: “Longe de ser um estilo de vida emocionante, o prazer de adulterar é o mesmo que o do roubo e da idolatria. É um ato cego e vil [...] Por essa razão o adultério é tão grave. Ele destrói vidas, despedaça famílias inteiras e despreza a Deus. Eis o porquê de ser uma transgressão considerada merecedora de morte no Antigo Testamento”.

Embora o ensino de Cristo se aplique ao homem e à mulher, o destinatário imediato da exortação do Mestre não é a mulher, mas o homem. É ele que, pela queda de Adão, herdou a tendência corrompida de domínio, é ele que assim como seu pai no Éden, sempre se inclinará ao caminho da fuga de sua responsabilidade de cuidar e cultivar acusando Eva e Deus por seus próprios erros.

Olhe para nossa realidade hoje, quantos lares foram destruídos por homens que, assim como Adão, se abstiveram de suas responsabilidades? Quantos homens vivem na tendência demoníaca de viverem como se fossem “Don Juan” sempre em busca por seduzir e destruir a vida de mulheres que passam por eles?

O homem que se aventura na infidelidade afronta Deus a quem tomou por testemunha em seu voto assumido no altar, repudia a mulher a quem prometeu cuidar e amar e que lhe entregou a própria vida em fidelidade e confiança, viola a aliança feita diante de homens e potestades espirituais e destrói a própria alma lançando-a no caminho do inferno.

Não há nada de belo na traição, não há nada de normal em aceitar menos do que a fidelidade até a morte. Cristo não apenas condena profundamente todo e qualquer desejo alimentado pelo coração do homem que não seja direcionado à sua própria esposa, mas também eleva o padrão ao declarar, por meio do Apóstolo Paulo, que o homem deve amar sua mulher assim como Ele mesmo ama sua Igreja.

Cristo não trai sua noiva, não negocia sua fidelidade, não a diminuí ou faz chacota com ela insinuando alguma traição a fim de levantar ciúmes, mas a ama a ponto de morrer por ela, de carregar em seu corpo, por toda a Eternidade, as marcas de seu sacrifício.

Como certa feita escreveu Gilbert Keith Chesterton: “Ser fiel a uma única mulher é um preço pequeno demais se comparado a algo tão grande, como ter uma mulher”. Nenhuma aventura, nenhum prazer e nenhum status na roda de amigos é superior à aliança exigida e abençoada por Deus.

Tal verdade talvez pareça longe de nossa realidade e, para muitos, loucura. Entretanto, Cristo não espera menos que isso ao ponto de exigir, como meditaremos no devocional de amanhã, uma disposição enérgica, brusca e violenta ao cortar o pecado pela raiz.

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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