Devocional #16 - Vocês ouviram o que foi dito

“Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados” — Mateus 5:21

Num primeiro olhar pode parecer que, de repente, Jesus inverte seu discurso e passa a abolir a Lei que, pouco tempo antes, havia dito que cumpriria. Muitos de nós têm a tendência de olhar para os ensinos de Cristo contidos nos versos 21 ao 48 como uma espécie de “nova Lei”, olhamos para a declaração de Jesus: “os antigos disseram isso, mas eu digo isso” e inferimos a ideia de que agora Ele está destruindo toda a lei e ritos do Antigo Testamento.

Antes de avançarmos para o ensino de Cristo acerca do homicídio, adultério, divórcio, juramento e da vingança precisamos compreender esta aparente contradição. Caso contrário, apenas arranharemos a superfície do ensino de Cristo e não desfrutaremos de seu real valor espiritual.

Em primeiro lugar precisamos compreender que não estamos diante de qualquer um, as palavras registradas neste bloco de versículos não são de um discurso proferido por um mestre da lei ou por um fariseu, mas pelo próprio “Eu sou”, pelo Deus encarnado, o próprio Verbo.

Em segundo lugar relembremos o que nos escreve Tiago em sua epístola, capítulo 1, verso 17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes”. Deus não muda, não volta atrás em sua palavra, não se altera.

E, em terceiro lugar, é importante observamos o destaque que o próprio Senhor Jesus dá para Seu ensino. Ele não declara “a Lei diz isso, mas eu vos digo” ou ainda “está escrito”, como os autores bíblicos normalmente faziam ao invocar alguma passagem das Escrituras Sagradas.

Ao contrário, Ele afirma “vocês ouviram dos antigos, mas eu vos digo”. Cristo está interessado não em destruir a Lei que Ele mesmo, em Deus, entregou ao Seu povo no Sinai, mas sim em realinhar o coração, que fora desviado por falsos ensinos, de forma que ele compreenda sem distorções o real propósito dos mandamentos.

Ferguson (2019) em seu livro “O Sermão do Monte” observa: “Mais ainda importante é o fato de que as palavras ditas ao povo anteriormente não são, necessariamente, citações das Escrituras. Algumas delas de fato são, mas há também acréscimos às Escrituras, e em um caso ocorre uma contradição [...] devemos amar nosso próximo [...], mas o Antigo Testamento não dá um mandamento geral ao povo de Deus para ‘odiar o inimigo’ [...] Isso sugere claramente que Jesus não está colocando Seu próprio ensinamento diretamente contra o ensinamento do Antigo Testamento”.

Lhe convido, tal como o Mestre fez há dois mil anos atrás, a abrir o coração e permitir que a correta aplicação da Palavra de Deus confronte nossa compreensão, muitas vezes, desalinhada. Ouvimos muitas coisas dos antigos, mas será que todas elas são, realmente, a correta compreensão da Palavra de Deus? É o que, com o auxílio do Espírito Santo, meditaremos nos próximos devocionais.

Deus lhe abençoe.


Bibliografia citada:

FERGUSON, S. O Sermão do Monte. Tradução de E Pires. São Paulo: Editora Trinitas, 2019. Disponível em: https://link.novasdecadamanha.com.br/ferguson-o-sermao-do-monte


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