“Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” — Mateus 5:43-45
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Diante do mal sofrido o mundo sempre clamará por vingança, o injusto sempre irá militar por seu ego ferido e, enquanto não ver sangue derramado, não se aquietará, contudo, ao discípulo não é concedido o direito de se vingar, não lhe é entregue a autoridade para requerer algo de seu inimigo, mas ao contrário, ele deve entregar de seu amor sem esperar nada em troca.

Tal disposição do coração, no entanto, não é motivo de orgulho para o discípulo, não há do que se gloriar, pois ele está apenas manifestando a graça que recebeu do Pai celeste, é Ele quem deve receber todas as honras, pois faz raiar o sol sobre os bons e maus e derrama chuva abundante sobre justos e injustos.

Ao discípulo não é concedido o direito de reter o amor que recebeu de Deus, não está sob sua autoridade decidir quem é ou não é digno do amor gracioso do Pai, uma vez que ele próprio foi alvo deste amor incomparável.

“Quem mais necessita do amor se não aquele que, sem amor, vive no ódio”, escreve Dietrich Bonhoeffer e continua “Quem, portanto, seria mais digno de amor que meu inimigo? Onde seria o amor mais glorificado do que entre seus inimigos?”.

Cristo então expande sua ordem, os discípulos devem não apenas retribuir com amor ao mal provocado pelo inimigo, como também interceder por ele diante do Pai. O inimigo pode rejeitar a expressão externa de amor do discípulo, pode esquivar-se de ser auxiliado por ele, no entanto, jamais será capaz de impedir a oração.

Como Bonhoeffer escreve em seu livro “Discipulado”: “Na oração, aproximamo-nos de nosso inimigo, colocamo-nos ao lado dele, estamos com ele, junto dele, por ele diante de Deus. Jesus não promete que o inimigo que amamos, abençoamos e a quem fazemos o bem deixará de nos caluniar e perseguir. Ele continuará a fazê-lo. Mas, se formos em sua direção e orarmos em seu favor, ele não poderá nos prejudicar nem vencer”.

Que Deus lhe abençoe.


BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. Tradução Murilo Jardelino, Clélia Barqueta. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.