“E o colocaram num sepulcro novo, que ele havia mandado cavar na rocha. E fazendo rolar uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro, retirou-se. [...] E eis que sobreveio um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu dos céus e, chegando ao sepulcro, rolou a pedra da entrada e assentou-se sobre ela. [...] O anjo disse às mulheres: “Não tenham medo! Sei que vocês estão procurando Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito.” — Mateus 27.69, 28.2, 5, 6

“Creio [...] em Jesus Cristo [que] desceu ao reino dos mortos”, declara o quinto artigo de fé do Credo Apostólico. Ao afirmar que Jesus desceu ao reino dos mortos o Credo reforça uma realidade, muitas vezes, ignorada ou incompreendida por nós: na Pessoa do Filho, Deus morreu.

Jesus provou não apenas de nossas dores e angústias, mas também de nossa morte. Ele padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado e morto.

Cristo não passou por uma espécie de desmaio, de sono ou por um estado de inconsciência. Deus, em Jesus, sentiu a dor dos flagelos na Cruz, sangrou até a última gota no Gólgota e morreu. O Apóstolo Paulo em sua carta à Igreja em Roma nos declara que “Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação”.

Por mim e por você o Senhor Jesus tornou-se o maior de todos os pecadores, o mais indigno dos homens e, por receber a nossa depravação, levou sobre si o salário do meu e do seu pecado.

Entretanto Ele “ressuscitou ao terceiro dia”, reafirma o Credo. Deus ressuscitou a Jesus dos mortos. Da mesma maneira que Cristo padeceu e morreu em nossa história, Ele também foi ressurreto em nossa história.

Ao contrário do que tentam argumentar os críticos da fé, nosso Mestre não experimentou uma espécie de desmaio na cruz, sendo reanimado pelo ar fresco da tumba, nem ainda retornou como uma ideia abstrata presente apenas nas mentes dos discípulos numa espécie de transe coletivo.

Seu corpo, entretanto, não retornou à vida tal como um morto-vivo, pelo contrário, cada célula, cada órgão e sistema vital foi, pelo poder do Deus Todo-Poderoso, restaurado e colocado em pleno funcionamento agora não mais como um mero humano trazido novamente à vida, mas como Christus Victor, o Cristo Vitorioso, o Cordeiro de Deus que triunfou sobre a morte, glorificado e eterno.

Como escreve John Updike em seu poema “Sete estrofes na Páscoa”:

Não se engane: se Ele ressuscitou mesmo
foi com Seu corpo;
se a dissolução das células não foi revertida,
as moléculas reconectadas,
os aminoácidos reanimados
a Igreja cairá.

Não foi como as flores
que ressurgem em cada suave primavera
não foi com Seu Espírito nas bocas e olhos
aturdidos dos onze apóstolos;
foi com Sua Carne: nossa.

Os mesmos dedos articulados
o mesmo coração e suas válvulas
que – perfurado – morreu, murchou, parou, e então reconquistou de permanente poder novas forças para sustentar.

Não há perdão dos pecados se Cristo de fato não morreu e não há esperança eterna e fé cristã se Ele ainda permanece no túmulo. Se Jesus não ressuscitou somos os mais miseráveis dos homens.

Ele desceu ao mundo dos mortos, experimentou a morte, mas não foi vencido por ela.

Que Deus lhe abençoe.