“E houve trevas sobre toda a terra, do meio-dia às três horas da tarde. Por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que significa “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito” — Mateus 27.45,46,50

O quarto artigo de fé do Credo Apóstolo nos relembra dos eventos daquela sexta-feira tenebrosa, “Creio em Jesus Cristo [...] que padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”.

Ao contrário do que os críticos da fé afirmam, a divindade do Mestre não abandonou seu corpo de forma que somente o “Jesus homem” experimentou da morte humana, muito menos que Ele teria apenas desmaiado e enganado os soldados que eram peritos em matar. Cristo de fato morreu e não há argumento humano que seja capaz de ofuscar esta verdade.

Por nossos pecados o Criador do mundo foi flagelado, humilhado, morto e sepultado em um túmulo emprestado. Ele compartilhou não apenas de nossas dores, mas de nossa morte.

Sua crucificação não foi motivada por ideologias políticas, Ele não morreu como um revolucionário tal como afirmam alas do cristianismo, em especial as que se comprometeram com ideologias humanistas e seculares. Cristo Jesus padeceu pelo meu e pelo seu pecado, não foi a pobreza humana, a opressão política ou a exploração religiosa que o separou de Deus naqueles momentos tenebrosos, mas foi a minha e a sua iniquidade.

Ao citar a figura de Pôncio Pilatos o objetivo do credo não é desenvolver ou apoiar a ideia de que os homens cooperaram no projeto de salvação. Da mesma forma que a encarnação do Verbo ocorreu sem o auxílio humano, Sua morte também o foi. Pôncio Pilatos se tornou apenas um instrumento utilizado por Deus a fim de cumprir Seus desígnios e, ao apresentar sua pessoa, o Credo Apostólico localiza os eventos bíblicos dentro da história humana.

A vida, ministério e morte de Cristo ocorreu em nossa história, os registros dos evangelistas não são contos mitológicos, mas a descrição plena e perfeita do Deus que rasgou a eternidade se revelando em nossa realidade temporal. Em Cristo Jesus o Criador Todo-Poderoso se restringiu aos limites de nossa realidade, o Eterno se confinou em nossa pequena linha temporal.

E, na mesma medida, o quarto artigo nos relembra que em Jesus nos aproximamos de um Deus que se compadece de nós, Ele não é uma divindade distante e apática ao sofrimento e dor, mas nEle encontramos aquele que padeceu nosso sofrimento e experimentou de nossa dor.

O ímpio, em sua dureza de coração, levanta acusações contra Deus por causa do sofrimento em nosso mundo e por mais que seja possível apresentar réplicas fundamentadas em argumentos filosóficos e teológicos, a resposta mais bela e definitiva está no Calvário, Deus não se preocupa em articular respostas lógicas para nossas indagações e questionamentos, apenas toma a dor e grita “Eu estou aqui!”.

Que Deus lhe abençoe.