“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos” — 1 Coríntios 12:12-14

A fé no Deus Pai, em Seu Filho Jesus e, por fim, no Santo Espírito não é apresentada pelo Credo como uma fé alheia à realidade, uma fé contida apenas no campo espiritual ou metafísico. Não se trata de simplesmente crer e viver de forma que esta crença não impacta na realidade.

Tal fé, no entanto, deve desembocar obrigatoriamente na comunhão, como reforça o Credo Apostólico: “Creio [...] na Santa Igreja de Cristo, na comunhão dos santos”.

Quem crê em Deus Pai, mas não aceita partilhar da comunhão com o corpo de Cristo está com uma fé desalinhada com a vontade de Deus. Aquele que foi regenerado por Cristo, preenchido por Seu Espírito será impelido a desejar da comunhão. Esta é a obra do Espírito Santo.

Não existe fé verdadeira em Deus alheia ao corpo de Cristo, todo aquele que afirma crer no Deus Triúno, mas não participa da comunhão dos santos é semelhante a um membro que foi amputado, ele pode até permanecer inteiro se for devidamente conservado, mas não tem vida em si mesmo, se torna inerte e inútil.

O uso do conceito de “corpo” para representar a Igreja de Jesus nos fornece um quadro preciso e verdadeiro do que é ser igreja. Da mesma maneira que as mãos necessitam dos olhos e os pés necessitam das pernas, assim é o cristão chamado pelo Senhor, em si mesmo ele não é capaz de absolutamente nada, quando arrancado do corpo se decompõe e perde seu propósito original, mas quando inserido no Corpo de Cristo se torna frutífero no Reino.

Lamentavelmente acredita-se hoje que seja possível professar uma fé em Deus sem partilhar da comunhão com os filhos de Deus. Quem nunca ouviu a clássica afirmação “eu sou a igreja”!?

Uma doce afirmação que carrega consigo um veneno mortal, pois da mesma maneira que a mão sozinha não é corpo, você sozinho também não é Igreja.

Olhe para o drama da redenção e verá que Deus sempre trabalha com um povo, com a comunhão entre os homens, com laços interpessoais, com amizades. Não é coincidência Cristo ter instituído a Santa Ceia num jantar, à mesa com os doze. Um dos sacramentos mais importantes da fé cristã foi delineado num ato de comunhão: uma refeição entre amigos. E, ainda hoje, mantém a grandiosidade daquela noite de Páscoa.

Não estamos afirmando, no entanto, que ao se propor viver a vida do Corpo de Cristo você estará livres de atritos, arranhões e ferimentos. Não há relacionamento humano sem atrito e faz parte do processo de amadurecimento cristão ser capaz de lidar com as fagulhas que surgem enquanto somos afiados pelo Senhor.

Se desejamos avançar para uma profissão de fé verdadeira somos, por Deus, chamados a partilhar da comunhão com nossos irmãos, nos despindo do orgulho, da apatia, da insensibilidade e nos revestindo do Espírito Santo, Deus conosco, que nos capacita a olhar para o próximo não mais a partir do que creio, desejo ou penso, mas a partir do que Cristo fez por ele, compreendendo que juntos estamos trilhando no caminho da santificação em Jesus.

Que Deus lhe abençoe.