“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” — Romanos 4:23,24

Prosseguindo na ênfase ao trabalho do Espírito Santo, o Credo Apostólico declara em seu décimo artigo de fé: “Creio [...] na remissão dos pecados”. Tal afirmação, embora curta e concisa, reforça não apenas a doutrina da depravação total do homem, como também fornece sentido ao sacrifício de Cristo.

A Queda colocou sob o jugo do pecado toda a raça humana, todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus, como declara o Apóstolo Paulo em sua carta à Igreja em Roma (3.23).

Não há um justo sequer, não há ninguém que não tenha se afastado e seguido seus próprios caminhos para longe do Criador, “todos se desviaram, igualmente se corromperam” (Salmos 14:3).

Ninguém por seus próprios méritos ou capacidades pode se achegar a Deus, ninguém em seu estado natural de pecado deseja as coisas espirituais. O homem natural está cego pela iniquidade, seu entendimento foi entenebrecido pelo pecado de forma que não é capaz de desejar o que é espiritualmente bom.

O Apóstolo João em sua primeira carta, capítulo 4 verso 19 declara que “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”, ou seja, só somos capazes de amar a Deus a partir do momento em que Ele derrama de Seu amor em nós. Só somos capazes de desejá-lo quando Ele ilumina nosso entendimento.

Não é o homem que busca primeiro a Deus, não é ele que deseja o Criador, mas é Deus que vem em direção ao homem e, com seu Espírito, o ilumina e o torna capaz de responder positivamente ao chamado da graça.

Sendo assim, a obra de Cristo não teve por objetivo derrubar o sistema político ou levantar bandeiras ideológicas e identitárias, mas sim fornecer o meio pelo qual os homens pudessem ser remidos de seus pecados.

Cristo ao atender às exigências da justiça divina se torna o justificador de todo aquele que, iluminado pelo Espírito Santo, crê em Seu sacrifício. É dEle que provém os méritos da remissão de nossos pecados, não é o que faço ou deixo de fazer que me garante o perdão em Cristo, não está em mim os merecimentos, mas em Jesus que sendo perfeito cumpriu toda a Lei em meu favor.

“Creio [...] na remissão dos pecados”, através da obra do Espírito Santo de convencimento somos retirados do lamaçal do pecado, limpos e pelo seu poder santificador caminhamos, diariamente, em direção à perfeição cristã. Já não estamos mais sob o império do pecado, mas enxertados na videira recebemos da justiça que fluí de Cristo e nos é concedida pela graça.

Que Deus lhe abençoe.