Devocional #04 - Em secreto

"Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará" — Mateus 6:6

"E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará" — Mateus 6:5, 6
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Os atos de piedade e as obras de misericórdia são, para o discípulo de Cristo, a ausência de sua própria reputação, a inexistência de seu próprio ser. Ele não mais auxilia o necessitado a fim de promover a si mesmo e não se coloca em oração ou jejum com o objetivo de se gloriar como fazem os hipócritas.

Jesus é bem enfático ao orientar Seus discípulos sobre como realizar suas obras de piedade, Ele nos exorta: “Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles” (Mateus 6:1).

O cristão não necessita de reconhecimento do outro em sua prática devocional, pois é a Deus a quem se dirige, não necessita de espectador ao estender a mão para o necessitado, pois não está cumprindo senão uma ordem do próprio Cristo.

Tanto o dar esmola, quanto o orar devem ser realizados sob a invisibilidade, sob o véu do secreto, pois é Deus que, sendo conhecedor de todas as coisas, recompensa.

Entretanto, a oração esperada por Cristo, e por consequência, as práticas de piedade não são secretas apenas aos olhos do mundo, devem ser secretas ao próprio discípulo.

Escrevendo acerca da oração, Dietrich Bonhoeffer declara que “A oração é absolutamente secreta. Ela se opõe a qualquer forma de reconhecimento público. Quem ora já não conhece a si próprio, mas apenas a Deus, a quem invoca. Uma vez que a oração não opera no mundo, mas é dirigida somente a Deus, é o exemplo perfeito de ação não demonstrativa”.

E ainda continua, “Contudo, também existe a oração transformada em demonstração, na qual o oculto é trazido à luz. Isso não ocorre apenas na oração pública [...] É muito mais perigoso quando eu me torno o próprio espectador de minha oração, quando oro diante de mim mesmo, seja porque tenho prazer na condição de espectador satisfeito, seja porque me surpreenda orando [...] Posso fazer uma encenação e tanto até mesmo sozinho em meu quarto”.

O secreto apresentado por Cristo é profundo e depende completamente da disposição do discípulo em rejeitar sua própria reputação e se retirar do trono de sua vida. É agir e não ser o próprio espectador da ação, orar e não ser aquele que elogia a própria oração no oculto do coração, é praticar o bem e não louvar a si mesmo, mas pacientemente aguardar o dia em que o “Pai, que vê no secreto, o recompensará”.

Que Deus lhe abençoe.


Bibliografia:

DIETRICH, Bonhoeffer. Discipulado. Tradução de Murilo Jardelino, Clélia Barqueta. 1 ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2016.


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